O GUARDIÃO DOS MORTOS
- Tanik - O Observador

- 19 de abr. de 2019
- 4 min de leitura
Pouquíssimas historias neste universo conseguem me comover como a de Xetir Ashatut.
Vindo de um sistema de planetas orbitando a estrela Mirzam que está a 500 anos luz do planeta Terra, na constelação de Cão Maior (hemisfério celestial sul) Xetir é um explorador de novos mundos que visitou a Terra na época em que o Egito se consolidou como nação, a 3000 anos A.c
Neste tempo ganhava força as tradições e adoração aos deuses egípcios como Rá, Osiris, Seth, Orus, Neftis, dentre outros.
Mas um deus em especial, Anúbis, marcou a passagem dele pelo terceiro planeta do sistema Solar.
EU SOU TANIK, O OBSERVADOR.
Agora, lhes contarei como um simples astronauta explorador vindo de outro mundo foi confundido com o deus guardião dos mortos.
Anúbis era o deus responsável por guiar as almas ate o julgamento final, onde seus corações eram pesados em uma balança contra uma pluma branca. Se este fosse mais pesado que a pluma a alma era consumida totalmente por um demônio. Mas se fosse mais leve a alma poderia então passar para o pós-vida.
Naquela época, em algum lugar da região do Alto Nilo, Xetir observava e analisava algumas espécies de vegetação nativa e alguns poucos animais que habitavam o rio.

Foi quando ele notou o choro de uma criança ali próximo do local de seus estudos.
Ao aproximar-se viu uma criança humana, uma menina, ajoelhada próxima a um corpo de outra criança, um pouco mais velha.
Ser vindo de uma civilização milhares de anos à frente da Terra, no quesito tecnologia, Xetir tinha meios de manipular energia residual de um pequeno local para determinar o que havia acontecido ali. Ou seja, podia fazer uma projeção holográfica com base do que restava de energia no ambiente, não importando qual fosse essa energia.
Sendo assim, decidiu realizar uma projeção para ver o que tinha acontecido com a criança jaz morta.
Viu ali que as duas crianças brincavam alegremente quando a mais velha percebeu algum animal entrando em um buraco, e quando essa se abaixou para observar, foi atacada no pescoço por uma Naja

Haji, serpente altamente venenosa.
Ele observou atentamente a cena e lamentou com muita tristeza pela morte da criança.
Mas Xetir havia se descuidado e a cena acabou sendo vista também pela garotinha que ali estava chorando.
Ao olhar para a criança que o observava com espanto e totalmente paralisada não esboçou reação alguma também.
Depois de um breve silencio se entreolhando, Xetir ouviu da pequena garotinha:
- Senhor Anúbis? É o senhor realmente?
Antes de aterrissar no planeta, Xetir enviou pequenas sondas para examinar os habitantes locais e seus costumes. Dentre eles suas crenças e religiões.
Era conhecedor então da historia dos deuses do Egito e analisando rapidamente a situação, decidiu assumir o papel de Anúbis, visto que seu traje espacial se parecia com as pictografias representando o deus guardião dos mortos.

- Sim, minha criança. Sou eu. – disse Xetir emulando uma voz mais grave e imponente – Diga seu nome e quem é este a quem devo acompanhar ate o pós-vida.
- Sou Danúbia. E este era meu irmão Radamés! – respondeu a garotinha choramingando. – Meu senhor, Radamés ficará bem? Ele vai mesmo para o pós- vida?
E mais uma vez utilizando a tecnologia de projeção, Xetir criou uma imagem de Radamés.
Com lagrimas nos olhos, a pequena Danúbia se dirigiu para abraçar a imagem de seu irmão, mas logo foi parada por Xetir.
- Lamento minha pequena. Como sabes, não é permitido os mortos ter contato com os vivos. Mas não se preocupe. Cuidarei bem de Radamés ate ele chegar aos portões do pós-vida.
Para Danúbia então só restou acenar para a imagem de Radamés que respondeu acenando de volta.
- Onde mora, Danúbia? – perguntou Xetir
- Moramos num vilarejo aqui perto. Somos pastores, meu senhor. – respondeu a garotinha.
Então, mais uma vez utilizando de tecnologia avançada manipulando a gravidade, Xetir fez o corpo de Radamés flutuar e assim carregando-o ate a casa onde morava Danúbia.
Deixou o corpo do garoto próximo à porta e se despediu da pequena Danúbia.
Minutos depois, os pais de Danúbia chegaram e viram o corpo de Radamés na porta de casa.
Perguntaram o que havia acontecido e a garotinha disse que ele foi picado no pescoço e que foi o deus Anúbis quem trouxe seu corpo ate em casa.
Os pais, tristes e furiosos pela morte de seu filho chamaram de mentirosa a pequena Danúbia. Não acreditavam que Anúbis em pessoa se daria ao trabalho de carregar o corpo de um reles mortal. Queriam castigar a pequena garotinha por isso. Por blasfemar!
Observando tudo escondido ali próximo, Xetir teve que intervir para que Danubia não fosse castigada. Mais uma vez utilizando sua tecnologia, ele se manifesta na presença dos pais da garotinha e lhes diz que tudo o que foi dito é verdade. Que devem respeitar a memória de seu filho Radamés e dando-lhe um bom sepultamento.
E se despedindo de sua pequena amiga, Xetir desaparece em um clarão de luz.
De volta à sua espaçonave Xetir começa a pensar em toda aquela situação novamente.
Ser confundido com uma divindade o fez pensar na importância da crença em alguém ou alguma coisa.
Que o ser humano necessita sempre de algo que lhe proporcione conforto diante da adversidade. Que seja um ponto de esperança em momentos difíceis.
Que o ser humano necessita muito que ele creia.
Que tenha FÉ!




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